sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Conhecendo o navio sísmico

O Vantage é um navio sísmico padrão, construído para operar em qualquer parte do mundo, exceto em águas com gelo, é capaz de puxar até 10 cabos sísmico de 8 km de extensão, separados de até 500 m ( algo com uma área 24 Km2 ) e operar com duas fontes sísmicas simultâneamente. Na foto ao lado você pode ver os cabos saído do navio.

O navio é dividido em convés superior, aberto, com área de carga e descarga, heliporto, e barcos de apoio e emergência( na foto ao lado, voce pode ver o heliporto ao fundo ).




Na parte de baixo existe o convés das fontes ( na foto voce pode ver um flutuador com os canhões de ar amarrados nele, isso é uma fonte sísmica ), o convés dos cabos sísmicos e por último a casa de máquinas.

Na parte da frente existem os decks da tripulação e a ponte de comando. São 4 decks, no primeiro fica a área de operação sísmica, as salas de descanso e lazer e a cozinha, do segundo ao quarto deck são as cabines da tripulação.

A sala do pessoal da Petrobas ou “Client” como eles nos chamam, fica junto da sala de operação sísmica ( onde se comanda toda a aquisição, foto ao lado ), nossa sala tem uma mesa, 1 computador e monitores para acompanhar o andamento da aquisição.

O pessoal a bordo se divide em 4 grande categorias : 1- Os marítimos, aqueles responsáveis pela navegação do navio, só tem norueguês do comandante ao prático ( viu Matriciano, da próxima vez você pede pra embarcar num navio sísmico ... ta bom pra voce que gosta ... ); 2- Os técnicos de sísmicas, aqueles que controlam a aquisição sísmica, Geofísicos, Técnicos e os clientes ( nós da Petrobras ), na sua grande maioria americanos; 3- O pessoal de operação que faz de tudo no navio, tem brasileiro e estrangeiro e finalmente o pessoal de hotelaria, cozinheiros ( claro Filipinos ) e taifeiros e “ajudantes” ( claro Brasileiros )

A escala de trabalho de todos é de 35 dias embarcado por 35 dias em casa, exceto para o pessoal da Petrobras que é de 14 dias embarcado e 21 dias em casa ( que moleza, viva o sindicato !!! ).

Alem do Vantage a operação conta com mais 3 navios menores, um vai alguns kms na frente abordando navios grandes e pequenos pesqueiros para desviarem, o outro vai atrás vigiando os cabos pra que ninguém passe por cima ( lembra, são mais de 8 km de cabos espaçados em 500 metros um do outro ), o terceiro é o barco de suprimento que vai e vem do porto pro navio ( na foto ao lado descarregando suprimentos ).

Um comentário:

  1. Parabéns pelo artigo, muito didática sua forma de abordar um assunto complexo até para quem é do mar.

    O Vantage é um ótimo navio, pena que já se vai, e mais pena ainda é o Brasil não deter nada parecido, e o pior, eles podem trabalhar nas nossas águas tranquilamente, mas o marítimo brasileiro é como sempre discriminado em suas próprias águas.

    Viva a RN 72 e ao fracassado $indimar.

    Nota> Hoje há alguns marítimos brasileiros no Vantage, porem não contratados pelo armador e sim pela CGG Veritas.

    Na noruega é proibida permissão de trabalho para marítimo não norueguês, e visto de trabalho, apenas para cidadãos da comunidade europeia, isso caso não houver cidadão do país para embarcar.

    Na Austrália um navio como este tem que obrigatoriamente ter sua bandeira suspensa, e ser registrado na Austrália e tripulado apenas por Australianos.

    Nos EUA, um navio como este não pode passar de 1 ano, e ainda assim com licença especial para sísmica, do contrário tem licença caçada, e todos os barcos de apoio devem ser de bandeira americana.

    Abraço e parabéns pelo Blog
    Erik
    http://www.blogmercante.com/

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